10.11.15

Diary | "E morrerem felizes para sempre"


Dr. M, o Director do Hospital, acaba de conquistar um importante Prémio internacional. Ultimam-se os preparativos para uma festa em sua homenagem. Pedro, o médico residente, chega à festa acompanhado de sua mulher, Constança. Eis que surge Inês, a recém chegada enfermeira espanhola. Pedro fica hipnotizado e ela acaba em seus braços, à frente de todos. Constança, consumida pelo ciúme, interrompe o momento romântico e discute violentamente com o marido. Dr. M assiste à cena e acede ao pedido de Constança para afastar Inês. Quando Pedro descobre que Inês foi transferida, resgata-a e dá-se o contacto sexual. Dr. M percebe que foi contrariado e pede ao Enfermeiro Coelho para lidar com a situação. O Enfermeiro, aproveitando-se da situação, interpreta a ordem de forma errada e lobotomiza Inês. Pedro descobre o sucedido e confronta o Dr. M. Em seguida, movido pela dor, exige vingança. O Enfermeiro é humilhado e executado em público. Ao longo da noite, um estranho Violinista percorre os corredores, mas ninguém parece vê-lo...


É este o mote para "E morreram felizes para sempre", da autoria de Nuno Moreira. As portas abrem à hora marcada e somos remetidos, já num ambiente teatral, para duas pequenas salas onde devemos aguardar. É-nos também dada a indicação que o uso de máscara é obrigatório. Quando as portas destas duas salas abrem, o público é todo encaminhado para uma sala onde decorre a festa em homenagem de Dr. M. A partir daí, podemos seguir uma das 10 personagens pelas 27 salas dos dois pisos do pavilhão 30 do Hospital Júlio de Matos (que em tempos acolheu os doentes mais difíceis do hospital) ou andar, por nós, a explorar todo o cenário.


A história é repetida duas vezes, para que possamos seguir mais que uma personagem e assistir a diferentes cenas. Na primeira vez, fomos seguindo personagens secundárias, o que permitiu fazer parte de alguns one-to-one, o que não acontece com as personagens principais. Entretanto, como as diversas personagens se vão cruzando, acabámos a seguir o médico Pedro. Da segunda vez, seguimos de início a Enfermeira Inês, até ao ponto em que acabámos por cruzar uma cena que já tínhamos visto e optámos por ir atrás do misterioso violinista, que se revela uma personagem bastante importante. Claro que ficaram muitas interacções por testemunhar. Afinal, se são 10 personagens e a história se repete 2 vezes, seriam necessárias 5 visitas para vermos tudo. Assim, cada um sai com a sua própria versão da história.


Nesta peça, da autoria de Nuno Moreira, somos absorvidos por um ambiente escuro e arrepiante de um hospital psiquiátrico, em que as personagens não falam, mas em que todas as emoções são transmitidas pela expressão corporal, sons, luz (ou falta dela) e mesmo cheiros.

"E morreram felizes para sempre" é o anti-conto de fadas. Pega na história de Pedro e Inês, mas as lágrimas de sangue escorrem aqui por razões médicas - consequência da lobotomia transorbital e não da tristeza. Egas Moniz dedicou ao cérebro toda a sua vida. E é pelo cérebro que todas as histórias se ligam. Afinal, é este que manda na paixão, não o coração. Aqui, ninguém vive feliz para sempre.


Informações importantes:
O bilhete tem um custo de 35€ (nós comprámos pela Odisseias, o que fez com que ficasse 9€ mais barato). É aconselhável o uso de calçado confortável, já que temos que de nos deslocar rapidamente durante cerca de 100 minutos para acompanhar as personagens. Não há rampas ou elevadores, pelo que não é adequado a pessoas de mobilidade reduzida. O espectáculo é para maiores de 18, já que tem cenas de sexo, violência e consumo de álcool. Existe estacionamento gratuito no hospital, mesmo ao pé do pavilhão 30.

Já foram ver este espectáculo? Ficaram com curiosidade em ir?

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